Amós Oz

“A alegria do ser e sua simplicidade descem e cobrem tudo com o mistério das coisas que existiam antes da criação do conhecimento.”
Amós Oz. “A Caixa preta”. São Paulo, Cia das letras, 1993, pg.117

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Frederico Di Giacomo Rocha

“Minhas raízes eu partilho com as velhas árvores de casa”
Frederico Di Giacomo Rocha

Tenho saudades daquelas árvores velhas,
das suas cascas,
do cheiro de suas flores,
E das suas folhas secando no chão.
Sinto saudades de trepar na pitangueira e naquela mangueira sábia
De sentir suas rugas roçando no peito
Da pequena jabuticabeira cabeluda
E da acerola que ocupava, meditativa, o centro do quintal
O velho quintal era um universo místico
Uma selva, um templo, um picadeiro
Marcado por árvores que eu conhecia de cór.
Como o limão cravo que se enroscava amoroso no pé de boldo.
Até dos pequenos morcegos eu sinto falta, quando devoravam as frutas
Faziam barulhos e, às vezes, se perdiam, cegos, dentro de casa,
Como as aleluias que se amavam, intensas, no verão
As cigarras barulhentas
E as formigas gigantes.
Depois foi só concreto, prédio
Avenidas, carros
Neve,
E eu tão distante de mim que me perdia
Sem me conhecer.
E vocês com seus tribunais no olhar
Achando que eu surgira ontem, por geração espontânea
Em alguma rua de Pinheiros
Em algum meeting de publicidade
Em algum café com menu escrito a giz na parede negra que queria estar em Williamsburg.
Vocês não conhecem o cheiro da terra seca que a chuva molha
Nem textura da fruta pão
Nem o pé de mexerica que nunca vingou.
Vocês não cravaram o casco do pé no espinho da primavera fundo
Nem viram a grama morrer de sede e perder lugar
Pro mato oportunista
Não.
Vocês acham que me conhecem,
Mas mal se interessam em perguntar de onde eu vim
E já julgam o passado pelo futuro.
Não, meus amigos, em qualquer lugar do mundo,
Vocês
Não me conhecem, não,
Nunca vão conhecer
Tão longe das árvores
Que me viram crescer.

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Oswald de Andrade.

“Se procurarmos a explicação do por que o fenômeno modernista se processou em São Paulo e não em qualquer outra parte do Brasil, veremos que ele foi uma conseqüência da nossa mentalidade industrial. São Paulo era de há muito batido por todos os ventos da cultura. Não só a economia cafeeira promovia os recursos, mas a indústria com a sua ansiedade do novo, a sua estimulação do progresso, fazia com que a competição invadisse todos os campos de atividade”
Oswald de Andrade. “Modernismo” in Anhembi. V(49): 31-32, 1954.

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Karl Marx.

“A linguagem é tão velha como a consciência, – a linguagem é a consciência real, prática, que existe também para outros homens, que existe então igualmente para mim mesmo pela primeira vez, e, assim como a consciência , a linguagem não aparece senão como o imperativo, a necessidade do comércio com outros homens. Onde quer que exista uma relação, ela existe para mim.”
Karl Marx. “Sur la littérature et l’art” . Editiions sociales, 1954, pg. 138.

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Eduardo Galeano

“Quando a sombra da crise espreita, faz-se necessário o saque aos países pobres para garantir o pleno emprego, as liberdades públicas e as altas taxas de desenvolvimento dos países ricos. Relação de vítima e carrasco; dialética sinistra: há uma estrutura de humilhações sucessivas que começa nos mercados internacionais e nos centros financeiros e termina na casa de cada cidadão”.
Eduardo Galeano. “As Veias abertas da América latina”. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1978, pg. 295.

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