Michel Foucault

“A história, em sua forma tradicional, empreendia ‘memorizar’ os monumentos… a história é o que transforma os documentos em monumentos, onde se decifravam traços deixados pelos homens, onde se tentava reconhecer em profundidade o que tinham sido, desdobra uma massa de elementos que se trata de isolar, de agrupar, de tornar pertinentes, de estabelecer relações, de constituir conjuntos.”
Michel Foucault. “Arqueologia do Saber”. Vozes, 1972, pg. 14

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O Rio

O Rio
(…)
Vira usinas comer
as terras que iam encontrando;
com grandes canaviais
todas as várzeas ocupando.
O canavial é a boca
com que primeiro vão devorando
matas e capoeiras,
pastos e cercados;
com que devoram a terra
onde um homem plantou seu roçado;
depois os poucos metros
onde ele plantou sua casa;
depois o pouco espaço
de que precisa um homem sentado;
depois os sete palmos
onde ele vai ser enterrado.
(…)
João Cabral de Melo Neto

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