Caetano Veloso

Recanto Escuro

Eu venho de um recanto escuro
O sol, luz perpendicular
Do outro lado azul do muro
Não vou saltar

Eu chego às portas da cidade
E nada procuro fazer
Espero, nem feliz nem gaia
Acontecer

Não salto mas sou carregada
Por asas que a gente não tem
A luz não me fulmina os olhos
Nem vejo bem

Em breve só saio de noite
A lua não me rasga o peito
Cool jazz me faz feliz e só
Não tenho jeito

O álcool só me faz chorar
Convidam-me a mudar o mundo
É fácil: nem tem que pensar
Nem ver o fundo

O chão da prisão militar
Meu coração um fogareiro
Foi só fazer pose e cantar
Presa ao dinheiro

Mas é sempre o recanto escuro
Só Deus sabe o duro que eu dei
Mulher, aos prazeres, futuro
Eu me guardei

Coisas sagradas permanecem
Nem o Demo as pode abalar
Espírito é o que enfim resulta
De corpo, alma, feitos: cantar

Caetano Veloso

Padrão

Jessé Souza.

“A classe que chamo provocativamente de ralé é uma continuação direta dos escravos. Ela é hoje em grande parte mestiça, mas não deixa de ser destinatária da superexploração, do ódio e do desprezo que se reservavam ao escravo negro. O assassinato indiscriminado de pobres é atualmente uma política pública informal de todas as grandes cidades brasileiras.
A nossa elite econômica também é uma continuidade perfeita da elite escravagista. Ambas se caracterizam pela rapinagem de curto prazo. Antes, o planejamento era dificultado pela impossibilidade de calcular os fatores de produção. Hoje, como o recente golpe comprova, ainda predomina o ‘quero o meu agora’, mesmo que a custo do futuro de todos.”
Jessé Souza. “Escravidão, e não corrupção define a sociedade brasileira” in Folha de S. Paulo, 24/9/2017, pg. 3.

Padrão

Anarquista Espanhola (CNT) Luta na Guerra Civil

Anarquista Espanhola (CNT) luta na Guerra Civil

Imagem

“Raízes do Brasil”

“No trabalho não buscamos senão a própria satisfação, ele tem o seu fim em nós mesmos e não na obra: um finis operantis, não um finis operis. As atividades profissionais são, aqui, meros acidentes na vida dos indivíduos, ao oposto do que sucede entre outros povos, onde as próprias palavras que indicam semelhantes atividades podem adquirir acento quase religioso.
(…): … ‘ninguém aqui procura seguir o curso natural da carreira iniciada, mas cada qual almeja alcançar aos saltos os altos postos e cargos rendosos: e não raro o conseguem’.”
Sérgio Buarque de Holanda. “Raízes do Brasil”. Rio de Janeiro: Jose Olympio, 1978, pg.114 e 115.

Padrão

Sérgio Buarque de Holanda.

“Atraindo periodicamente para o sertão distante parte considerável da população masculina da capitania, o bandeirismo terá sido uma das causas indiretas do sistema matriarcal a que ficavam muitas vezes sujeitas as crianças antes da idade da doutrina e mesmo depois. Na rigorosa reclusão caseira, entre mulheres e serviçais, uns e outros igualmente ignorantes do idioma adventício, era o da terra que teria de constituir para elas o meio natural e mais ordinário de comunicação.”
Sérgio Buarque de Holanda. “Raízes do Brasil”. Rio de Janeiro: Jose Olympio, 1978, pg.89.

Padrão

stachka

stachka

Imagem

Veda VIII.

Nós bebemos Soma: tornamo-nos imortais.
Fomos para a luz; encontramos os deuses.
O que pode a hostilidade fazer conosco agora?
E o que pode a malícia, ó Imortal, do homem mortal?

Ó gloriosas, gotas redentoras!
Que me fundiram às minhas juntas, como as amarras de uma carruagem.
Que essas gotas me protejam de quebrar uma perna,
E me livrem das doenças.

Como o fogo aceso pela fricção, inflama-me!
Ilumina-nos! Torna-nos ricos:
Pois a embriaguez que tu proporcionais, ó Soma,
Sinto-me rico. Ao penetrar em nós, agora, torna-nos de fato ricos.

Veda VIII.

Padrão

Marilena Chauí.

“O primeiro momento da destruição (da universidade), ainda sob a ditadura, deu-se com a imposição da ‘universidade funcional’, oferecida às classes médias para compensá-las pelo apoio à ditadura, oferecendo-lhes a esperança de rápida ascensão social por meio dos diplomas universitários. Foi a universidade da massificação e do adestramento rápido de quadros para o mercado das empresas privadas instaladas com o ‘milagre econômico’. A partir dos anos de 1990, sob os efeitos do neoliberalismo, deu-se a nova fase destrutiva com a implantação da ‘universidade operacional’, isto é, o desaparecimento da universidade como instituição social destinada à formação e à pesquisa, surgindo em seu lugar uma organização social duplamente privatizada: de um lado, porque a serviço das empresas privadas é guiada pela lógica do mercado; de outro, porque seu modelo é a empresa privada, levando-a a viver uma vida puramente endógena , voltada para si mesma como aparelho burocrático de gestão, fragmentada internamente e fragmentando a docência e a pesquisa. Essa universidade introduziu a idéia fantasmagórica de ‘produtividade acadêmica’, avaliada segundo critérios quantitativos e das necessidades do mercado. Essa imagem da produção universitária tem sido uma das causas de sua degradação interna e de sua desmoralização externa, pois é uma universidade que despreza o pensamento e o ensino.”
Marilena Chauí. “A Filosofia como vocação para a liberdade”. in Estudos Avançados . São Paulo: IEA, 17(49): 12, 2003.

Padrão

a Federação Comunista Anarquista Coreana

a Federação Comunista Anarquista Coreana

Imagem

Annaes do Parlamento Brazileiro

“Na província do Pará há algumas escolas, mas do que serve isto, se os ordenados dos mestres são tão pequenos que a maior parte das escolas se acham fechadas?”
Deputado Romualdo Teixeira. “Annaes do Parlamento Brazileiro: Câmara dos Deputados, 1827” in Xavier, Maria Elizabete S. P. “Poder Político e Educação de Elite”. São Paulo, Cortez/ Autores Associados, 1990, p. 44.

Padrão