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Paulo Prado.

“Como da Europa do Renascimento nos viera o colono primitivo, individualista e anárquico, ávido de gozo e vida livre – veiou-nos em seguida o português da governança e da fradaria. Foi o colonizador. Foi o nosso antepassado europeu. Ao primeiro contato com o ambiente físico e social do seu exílio, novas influências das mais variadas espécies, dele se apoderariam e o transformariam num ente novo, nem igual, nem diferente do que partira da mãe-pátria. Dominavam-no dois sentimentos tirânicos: sensualismo e paixão do ouro. A história do Brasil é o desenvolvimento desordenado dessas obsessões subjugando o espírito e o corpo de suas vítimas.
Paulo Prado. “Retrato do Brasil”. Briguiet & Cia, pg. 124 e 125.

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Alfredo Bosi

“…, o que será o preconceito se não a generalização abusiva de alguma experiência, real sim, mas singular e descontínua em relação a outras de que a aproxima o nosso arbítrio?”
Alfredo Bosi. “A escrita do testemunho em Memórias do Cárcere”. in Revista de Estudos Avançados 9(23):317, jan/abr 1995.

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Charles Bukowski

outra cama

outra cama
outra mulher
mais cortinas
outro banheiro
outra cozinha
outros olhos
outro cabelo
outros
pés e dedos.
todos à procura.
a busca eterna.
você fica na cama
ela se veste para o trabalho
e você se pergunta o que aconteceu
à última
e à outra antes dela…
é tudo tão confortável —
esse fazer amor
esse dormir juntos
a suave delicadeza…
após ela sair você se levanta e usa
o banheiro dela,
é tudo tão intimidante e estranho.
você retorna para a cama e
dorme mais uma hora.
quando você vai embora é com tristeza
mas você a verá novamente
quer funcione, quer não.
você dirige até a praia e fica sentado
em seu carro. é meio-dia.
— outra cama, outras orelhas, outros
brincos, outras bocas, outros chinelos, outros
vestidos
cores, portas, números de telefone.
você foi, certa vez, suficientemente forte para viver sozinho.
para um homem beirando os sessenta você deveria ser mais
sensato.
você dá a partida no carro e engata a primeira,
pensando, vou telefonar para janie logo que chegar,
não a vejo desde sexta-feira.

Charles Bukowski

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“Retrato do Brasil”.

“Poucos se preocupavam com os mais comezinhos princípios da verdade, da propriedade particular ou das virtudes domésticas. A vida de um homem pouco valia: por um patacão, um capanga se incumbia do desaparecimento de qualquer desafeto.”
Paulo Prado. “Retrato do Brasil”. Briguiet & Cia, pg. 150.

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Marcuse.

“Os princípios morais que a criança absorve através das pessoas responsáveis por sua criação, durante os primeiros anos de vida, refletem certos ecos filogenéticos do homem primitivo. A civilização é ainda determinada por sua herança arcaica, e essa herança, afirma Freud, inclui não só disposições, mas vestígios de memórias das experiências de gerações anteriores.”
Herbert Marcuse. “Eros e Civilização”. Zahar, pg. 67.

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Fasusto - Murnau 2

Fausto – Murnau 2

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Paulo Prado

“O encanto do primeiro encontro com a terra desconhecida desaparecia aos poucos para ser substituído por uma dura realidade em que o colono se via abafado pela mata virgem, picado por insetos, envenenado por ofídios, exposto as feras, ameaçado pelos índios, indefeso contra os piratas.”
Paulo Prado.“Retrato do Brasil”. Briguiet & Cia, pg. 68.

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