Patativa do Assaré

Sempre digo, julgo e penso
que o Beato Zé Lourenço
foi um líder brasileiro
que fez os mesmos estudos
do grande herói de Canudos
nosso Antônio Conselheiro
Tiveram o mesmo sonho
de um horizonte risonho
dentro da mesma intenção
criando um sistema novo
para defender o povo
da maldita escravidão.
Em caldeirão trabalhava
e boa assistência dava
a todos os operários
com a sua boa gente
lutava pacificamente
contra os latifundiários.
Naquele tempo passado
Canudos foi derrotado
sem dó e sem compaixão
com a mesma atrocidade
e maior facilidade
destruíram o Caldeirão.
Por ordem dos militares
Avião cruzou os ares
com ódio, raiva e com guerra
contra a justiça divina
na grande carnificina
o sangue molhou a terra
Porém, por vários caminhos
seguindo no mesmo roteiro
sempre haverá Conselheiro
e Beato Zé Lourenço.

Patativa do Assaré

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Revista de Antropofagia

“Deus é fenômeno local. Varia conforme o clima…
Profeta gostoso era Jesus Cristo! Veiu para salvar os judeus e foram os judeus – exatamente – os únicos que não quizeram ser salvos…
Contra a moral convencional, moral nenhuma. O problema do europeu desesperado é não sofrer. O nosso é gosar. Ganhamos longe. Sabemos que a Igreja é um instrumento de dominação política, e nada mais. Desde a submissão à autoridade, do apóstolo Paulo, a suplica a Marco Aurélio e Commodo, de Athenágoras, às cruzadas, à inquisição. Depois tivemos a bula de Pio VII. E agora a aliança ‘espiritual’ com o fascismo. A nação caraíba, de tacape na munheca, olha as comidas que vêm pulando. E ferve o cauim. Gulosíssima.
Vão haver prantos e ranger de dentes.
O nosso troféu clássico: o craneo inimigo.”
Japy-Mirim . “Revista de Antropofagia” in Diário de São Paulo , 7/4/1929.

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Joseph Conrad

“Chamaram-me escritor do mar, dos trópicos, escritor descritivo, romântico e realista. Toda a minha preocupação foi chegar ao valor ideal das coisas, dos acontecimentos, dos seres. Os aspectos irônicos, patéticos, apaixonados, vieram deles mesmos; mas, na verdade, são os valores ideais dos fatos e dos gestos humanos que impuseram à minha atividade artística.”
Joseph Conrad. “Lord Jim”. São Paulo: Abril Cultural, 1982, pg. 3

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Darcy Ribeiro

“Brasília me devolve aos mairuns, aos nossos mitos de criação. Eles situam aqui o que há de mais sinistro. Brasília é o mundo mairum que se transfigura. O pior do nosso mundo aqui se converte. Floresce? Esta região das nascentes do Iparaña para nós é uma espécie de inferno, é a boca do mundo subterrâneo: morada de Mairahú. Aqui só viveram enormes cachorros negros de bocarras gigantescas: os guardiões da morada da Maíra-Monan, meu Deus-Pai, ingênuo, feroz, caprichoso. Assusta pensar que justamente a morada de Maíra- Monan é, agora, o umbigo do Brasil. Qualquer mairum, desaconselharia construir aqui a capital nova. Para nós, tudo de bom deve existir lá para foz do Iparaña, onde esta o Inimaraer, as terra sem mares, nosso paraíso perdido: o reino prometido dos desesperados sem remédio.”
Darcy Ribeiro. “Maíra”. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, pg. 132.

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