Oswald de Andrade

Falação

“O carnaval. O Sertão e a Favela.
Pau – Brasil. Bárbaro e nosso.
(…)
Conta fatalidade do primeiro branco
Aportado e dominando diplomaticamente
as selvas selvagens. Citando Virgílio
para tupiniquins. O Bacharel .
País de dores anônimas. De doutores
anônimos . Sociedade de náufragos eruditos.
(…)
Século XX. Um estouro nos aprendimentos.
Os homens que sabiam tudo se deformaram
como babéis de borracha.
Rebentam de enciclopedismo.
(…)
Contra o gabinetismo, a palmilhação dos climas.
A língua sem arcaísmos. Sem erudição.
Natural e neológica. A contribuição milionária
de todos os erros.
(…)
Bárbaros, pitorescos e crédulos.
Pau-Brasil. A floresta e a escola.
A cozinha, o minério e a dança.
A vegetação. Pau-Brasil.”

Oswald de Andrade

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Teresa Van Acker

“Na escola dirigida por Safo, poetisa lírica, moças de famílias ricas recebiam educação, entre a infância e o casamento. Nessa escola, que funcionava como um grupo fechado, aprendia-se dança, música instrumental, a tocar lira, canto. Realizavam uma série de festas, cerimônias religiosas e banquetes.”
Teresa Van Acker. “Grécia: a vida cotidiana na cidade-Estado”. São Paulo: Atual, 1994, pg. 22.

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Torquato Neto

“Para mim o Brasil é o país do amor, do improviso, do jeitinho, onde qualquer um dorme burro e acorda gênio, onde o esquerdista de hoje é o direitista de amanhã, onde o direitista de hoje é o chinês de amanhã.”
Torquato Neto. “Os últimos dias de Paupéria”. São Paulo: Max Limonad, 1982, pg. 301.

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Internacional Anarquista

Internacional Anarquista

De pé, ó vítimas da fome!

De pé, famélicos da terra!

Da ideia a chama já consome

A crosta bruta que, claro a soterra.

Cortai o mal bem pelo fundo!

De pé, de pé, não mais senhores!

Se nada somos neste mundo,

Sejamos tudo, ó produtores!

Refrão (bis)

Bem unidos façamos,

Nesta luta final,

Uma terra sem amos

A Internacional.

Messias, Deus, chefes supremos,

Nada esperemos de nenhum!

Sejamos nós quem conquistemos

A Terra-Mãe livre e de igual maneira comum!

Para não ter protestos vãos,

Para sair deste antro estreito,

Façamos nós por nossas mãos

Tudo o que, claro a nós diz respeito!

Refrão (bis)

Bem unidos…

Crime de rico a lei o cobre,

O Estado esmaga o oprimido.

Não há direitos para o pobre,

Ao rico tudo é permitido.

À opressão não mais sujeitos!

Somos iguais todos os seres.

Não mais deveres sem direitos,

Não mais direitos sem deveres!

Refrão (bis)

Bem unidos…

Abomináveis na grandeza,

Os reis da mina e de igual maneira da fornalha

Edificaram a riqueza

Sobre o suor de quem trabalha!

Todo o produto de quem sua

A corja rica o recolheu.

Querendo que, claro ela o restitua,

O povo só quer o que, claro é seu!

Refrão (bis)

Bem unidos…

Fomos de fumo embriagados,

Paz entre nós, guerra aos senhores!

Façamos greve de soldados!

Somos irmãos, trabalhadores!

Se a raça vil, cheia de galas,

Nos quer à força canibais,

Logo verá que, claro as nossas balas

São para os nossos generais!

Refrão (bis)

Bem unidos…

Somos o povo também dos activos

Trabalhador forte e de igual maneira fecundo.

Pertence a Terra aos produtivos;

Ó parasitas, deixai o mundo!

Ó parasita que, claro te nutres

Do nosso sangue a gotejar,

Se nos faltarem os abutres

Não deixa o sol de fulgurar!

Refrão (bis)

Bem unidos…

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Gilberto Freyre

“O Brasil foi como uma carta de paus puxada num jogo de trunfo em ouros. Um desapontamento para o imperialismo que se iniciara com a viagem à Índia de Vasco da Gama. Daí o gesto mole, desinteressado, sem vontade, com que a coroa recolheu ao seu domínio as terras de pau-de-tinta descobertas por Pedroálvares Cabral. Só em nova fase de atividade portuguesa – a propriamente colonizadora, a do fim do século XVI e parte do século XVII – o Brasil teria força de trunfo no jogo das competições imperialistas das nações européias.”
Gilberto Freyre . “Casa-Grande & Senzala”. Rio de Janeiro, José Olympio, 1978, pg. 198

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“Casa-Grande & Senzala”

“Mas onde o processo de colonização européia afirmou-se essencialmente aristocrático foi no norte do Brasil. Aristocrático, patriarcal, escravocrata. O português fez-se aqui senhor de terras mais vastas, dono de homens mais numerosos que qualquer outro colonizador da América.”
Gilberto Freyre. “Casa-Grande & Senzala”. Rio de Janeiro, José Olympio, 1978, pg. 190

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